Sempre quis olhar para ti, sempre quis conhecer-te…
Mas eu nunca te via ali, não consegui procurar-te.
Olha-se mas não se vê, procura-se mas não se luta. A vida parece sempre deixar-nos resignados com aquilo que temos, quando achamos que estamos bem. Sabemos porém que não temos o melhor e que numa breve procura podemos encontra-lo. Apesar disso vamos ao fundo, deixamos que a própria vida nos enterre confortados com aquilo que temos.
Não procuramos, nem aproveitamos. Não queremos olhar para trás quando o passado é assustador e não queremos olhar para a frente porque estamos presos ao passado. Conformismo e resignação! O que fazes por ti? Nada, quando entregas a vida a coisas mundanas. Coisas que não dão o valor que realmente se merece.
Há algo mais para além disso, algo que vem do céu, da vida e do peito das pessoas boas. Quando se algo mais aparece, apercebemo-nos que não estava assim tão longe. Não era preciso andar milhas por ele, nem carregar pesos, muito menos ficar fragilizado. Mas porque? Ele estava ali ao lado, aquilo com que sonhamos, o que idealizamos, o que queremos ou o que esperamos.
As lágrimas de sangue acontecem no desespero de não sentir. Pois é o sentimento que nos leva ao encontro desse algo perdido ou desorientado. É fechar os olhos e sentir amor, amizade, entreajuda, caridade, solidariedade e compaixão. Quando não se sente, tudo isto fica perdido e desorientado. Esquecemos os outros e por isso esquecemo-nos a nós.
Devia-se saber controlar o desespero que nos deixa cegos e apenas com recordações passadas. Para-se no tempo, perdidos, desorientados e no desespero. Incapaz de olhar para o lado, muito menos para a frente. Impedidos de escolher o caminho. Proibidos de palpar a realidade.
Não devíamos parar de sentir, parar de olhar, parar de palpar o caminho só assim se saberá o que passámos, o que estamos a passar e tudo aquilo que ainda vem.